quinta-feira, 30 de abril de 2009

~ 3

“Olá Nádia, é o João, tudo bem?” Qual João? “Olha, gostava de me encontrar contigo para trocarmos umas ideias”. Ah, o gajo que tava com a Alice. Fico intrigada sobre o que é que ele pode querer falar comigo, por isso aceito. Nem que seja para perceber melhor a ligação dele com a Alice.

Estava combinado. No dia seguinte, iria ter com ela a Lisboa. Ia pôr tudo em pratos limpos, mal podia esperar pelas 4 da tarde.


início | continua amanhã, pelas 4 da tarde

quarta-feira, 29 de abril de 2009

~ 2

“Ela beijou-me, sim. E eu gostei. Desculpa.” “Tudo bem, eu confesso que isso me excita. Gostava muito de participar também.” Ela não ficou surpreendida com a minha atitude. Depois riu-se e beijou-me por entre risadinhas. Gostava muito dela, nós dávamo-nos bem, ambos sabíamos que aquilo era uma relação passageira, concentrávamo-nos apenas nos bons momentos que passávamos juntos. Tinha de falar com a Nádia e perceber quais eram as intenções dela antes do espectáculo.

início | continua daqui a um dia ou dois

~ 1

A festa. Destesto a merda destas festas, a única coisa boa é poder galar gajas todas bem vestidas. Adorava fazer uma reportagem só com decotes, e depois eleger o melhor. Mas ok, a Catarina merece que eu vá, afinal de contas, é o prémio dela, e se ela faz questão de o receber, eu só tenho de tar lá a apoiá-la.


Tudo começou com a entrega de prémios. Não que me estivesse a apetecer muito ir a mais uma festa, preferia ficar sozinho com ela no dolce fare niente, aproveitar bem os últimos dias que faltavam para me despedir à grande. Mas tudo bem, era o trabalho dela, lá fomos.

A Catarina conhece toda a gente e eu detesto ter de cumprimentar o mundo inteiro, aquela conversa chata de circunstância… Já me tou a resignar a apanhar uma seca tremenda com uns quantos gin tónicos, quando ELA começa a cantar. Linda, cor de chocolate, umas pernas incríveis, mamas generosas, uma voz… mistura de Sade com Missy Elliott e Norah Jones. Fico de boca aberta a olhar para ela. O meu coração dispara e o instinto predador prepara-se para a caçada.

Pessoas simpáticas, bom gosto, bom ambiente, afinal estava-se bem ali.

Afasto-me um pouco da multidão com o meu copo, o suficiente para poder olhar para ela sem ser indiscreta. Pelos vistos, não é o suficiente.

Era desconcertante. Cabelo curto, escuro, meticulosamente desalinhado, maquilhagem perfeita, sorriso incrível…. Casaco e gravata sem camisa, muito chic. Era a única mulher de calças e de ténis na festa. Vestia-se como um homem, mas de uma forma feminina, provocante. Gostei da body language. Olhava fixamente para a Alice. Quem seria aquela personagem?

Oiço alguém dizer por trás de mim: “Linda, não é?”, “Sim, lindíssima” e acrescento entre dentes “vai ser minha”. Não sei se ele se apercebeu, tou tão concentrada nela que só depois reparo com quem tou a falar, e mesmo assim não o conheço. Ele apresenta-se, trocamos cartões, não presto atenção nenhuma ao nome dele, é um cromo qualquer armado em desportista, personal trainer de algumas celebridades em Londres, a pensar em expandir o negócio em Portugal. Tem um ligeiro sotaque bife típico de imigrante bimbo a atirar para o snob que me irrita. Mas porque é que eu tenho de aturar isto?

O que foi que ela disse? “Há-de ser minha”?! Tinha de tirar esta história a limpo. Ela era gay? E estava a querer fazer-se à minha namorada?!?! Era demais! Very exciting! Nádia… repórter de imagem freelancer que pratica artes marciais é tudo quanto consigo arrancar dela. Não está minimamente interessada em conversar comigo. Decidi não insistir… for the moment.


Por azar, a Catarina não conhece a minha próxima conquista. Por sorte, ela vem cumprimentá-la, dar-lhe os parabéns pelo prémio merecido, tão querida. Então ela apresenta-nos. Alice, cantora com bastante sucesso em Inglaterra, começa agora a dar nas vistas em Portugal. Tem ascendência angolana, por isso fala relativamente bem português. Reparo no gajo que está com ela, o mesmo com quem tinha falado há pouco. Tenho de saber muito bem qual o papel dele no meio desta história. Ela é mesmo deslumbrante, tem uns olhos claros enormes, deixa-me a tremer por aqueles lábios… ummm.

Isto prometia! Pena ter passagem marcada, talvez conseguisse prolongar a estadia por mais uma semana ou duas…

A Catarina já me topou. Como de costume, vem ter comigo e diz-me para ter cuidado, que o gajo pode não achar piada, que os fotógrafos estão a pau, blá, blá, blá. Ela conhece-me mesmo bem. É o meu anjo da guarda. Nunca houve nada de sexual entre nós, é uma espécie de amor platónico. Ela é hetero. O gajo não larga o osso. Ele e mais 345 melgas. Eu não queria sair daqui sem pelo menos lhe dar um beijo bem dado. A ida dela à casa de banho foi a minha deixa…


Ela estava a demorar uma eternidade na casa de banho. Já estava a pensar que ela tinha ido alimentar o vício…

Tenho a nítida impressão de que ela acabou de snifar coca. Não é que me surpreenda, mas eu não curto drogas pesadas. Uma broazita de vez em quando, ainda vá que não vá. Penso em usar isso a meu favor, ainda para mais, ela já entornou uns copos… Convido-a para ir dar uma volta lá fora. Tá uma noite demasiado quente para finais de Abril, toda estrelada, mesmo boa para uma queca ao ar livre, mas eu tenho de ir devagar… o meu objectivo para esta noite é um beijo inesquecível, daqueles de humedecer qualquer mulher e um convite a algo mais…


“Viste a Alice?” “Não”. “Sabes onde foi a Alice?” “Eu vi-a a sair da casa de banho, com uma tipa estranha”. Estava com a Nádia!? Onde é que elas se teriam metido? “Não estará lá fora?” Dirigi-me para a saída, mas a amiga da Nádia barrou-me literalmente a passagem. “Champanhe?” “Não, obrigada, estou à procura da Alice, não a viu?” Ela disse-me que podia ajudar-me a procurá-la, se eu aceitasse o champanhe. Eu só queria que ela saísse da frente.


O sítio é super discreto, e dá para ver o luar por entre as árvores. Por mais longe que as tele-objectivas alcancem, os flashes dos fotógrafos não chegam até aqui e a luz não é suficiente para uma foto. Ela não é tão fácil como eu gostaria. Do “estás a gostar de Portugal?” até lhe conseguir tocar, demora uma eternidade, ela faz questão de me contar a vida toda, já estou a desesperar. Convida-me para a ver actuar novamente, no Casino. Um ponto! Eu faço-me de difícil, a dizer que já tenho planos, mas que vou tentar.

Caramba, a mulher era muito chata! Estava a ver que não me livrava dela. Pensei que o prémio devia ter-lhe subido à cabeça ou então o álcool. I can't believe it! Percebo finalmente a insistência da amiga, the little bastards… Ela foi rápida… e eficaz. Isto deixou-me em pé, cheio de vontade de me juntar a elas!...

Finalmente consigo atascar-lhe um chocho. Ela não oferece grande resistência, por isso eu continuo, mas ela afasta-me um bocado assustada. Cheira tão bem! É muito doce, sabe a abacaxi… que delícia! Começo a pensar em salada de frutas e nós duas, à beira duma piscina… Passado um instante, aparece o empata fodas.

“Alice! There you are! Muito bem acompanhada, estou a ver”. Olhei para a Nádia com um olhar desafiador. Tinha de conseguir falar com ela a sós. A Alice estava embaraçada, disse-me que estava a convidar a Nádia para assistir ao próximo espectáculo dela, em Lisboa. Pois, pois… Iríamos ter muito que falar sobre esse convite.

A Catarina farta-se de mandar vir comigo, a dizer que não sabia o que havia de fazer para empatar o homem, e que ele deve ter julgado que ela era maluca. Que o tipo até era jeitoso e ela não se importava de lhe dar uma trancada, mas depois da figura de parva que fez, não vai ter hipótese nenhuma… aquelas coisas dela do costume. Eu fico com a ideia de que ele se apercebeu de qualquer coisa, pela forma com olha para mim.

início | to be continued...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

~


“O derradeiro órgão sexual é o cérebro.”
Nicholas Wade, New York Times, 16/04/2007

"Uma história sobre fidelidade, sexualidade e descendência. Ou o resultado de juntar Josh “Sawyer” Holloway + Katherine “Shane” Moennig + inquietações sobre fidelidade, sexualidade e descendência, e agitar bem."


© António F. Silva & A. Pereira

brevemente...

... aqui

sábado, 25 de abril de 2009

Dia da Liberdade!!!!


porque hoje é o dia da Liberdade,

porque hoje se comemora a
Liberdade,

porque hoje faz 35 anos que se grita somos livres.

Livres de escolher, de decidir sobre nós mesmos

Livres para decidir

Livres de viver livremente e sem censura

Livres para sermos Livres!

e afinal, muitos e muitas ainda não são verdadeiramente Livres.

para minha tristeza a autodeterminação sexual continua a ser agredida.

a Liberdade de escolha continua a não ser respeitada,

Abril, é em Portugal, sinónimo de Liberdade,

mas Abril, será verdadeiramente sinónimo de Liberdade, Igualdade, respeito, quando:

- campanhas para o uso do preservativo,

- campanhas para a igualdade de direitos entre os sexos,

- campanhas para que casais do mesmo sexo sejam respeitados,

continuamos com demasiadas campanhas para atingirmos a total Liberdade.

certo é que a nossa Liberdade tem 35 anos é ainda muito jovem, e muito ainda temos que aprender, aprender a respeitar a Liberdade de opção, a Liberdade de escolha.

espero rapidamente ver a Verdadeira e Total Liberdade atingida.

- respeito pelas opções sexuais de cada um;

- respeito pela liberdade de escolha de cada um;

- direito a cada um viver e casar com quem quiser, e esse direito ser-lhe reconhecido não só pelo Estado, como por todas as outras pessoas.

- Não existir descriminação de qualquer tipo.

e acima de tudo, sermos Livres de ser quem somos!

Viva a Liberdade (racional)!

imagem retirada daqui

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Donzela Ansiosa


Arreitada donzela em fofo leito,
Deixando erguer a virginal camisa,
Sobre as roliças coxas se divisa
Entre sombras subtis pachocho estreito.

De louro pêlo um círculo imperfeito
Os papudos beicinhos lhe matiza;
E a branda crica nacarada e lisa,
Em pingos verte alvo licor desfeito.

A voraz porra, as guelras encrespando,
Arruma a focinheira, e entre gemido
A moça treme, os olhos requebrando.

Como é inda boçal, perder os sentidos;
Porém vai com tal ânsia trabalhando,
Que os homens é que vêm a ser fodidos.
 
Manuel Maria Barbosa du Bucage

sábado, 18 de abril de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

quadrado

Tive na mão um chupa-chupa agridoce. Segurei-lhe o pau, fi-lo rodar nos meus dedos e olhei para as duas faces da superfície colorida, atractiva. Tinha quatro lados iguais, cada qual com a sua cor. Comecei a lambê-lo, a arredondar-lhe os cantos e era doce. Tutti-frutti, uma mistura de sabores de onde distingo um travo a goiaba, morango, laranja e abacaxi, salpicado de canela. Foi ficando transparente com as minhas lambidelas, até conseguir ver-lhe o coração. Trinquei-o e cheguei a uma parte mais amarga de mentol. Ao contrário dos chupas normais, este começou por ser doce e o núcleo é mais ácido, limão. Mas os meus dentes esmagaram o coração acre e trituraram-no com a doçura da fruta, misturando os sabores. Os pedacinhos coloridamente saborosos lutaram na minha boca, estimulando as papilas, fazendo-me sentir todos os cambiantes de sabor. Gulodice, pura gulodice…

terça-feira, 7 de abril de 2009

Caralho potente


Porri-potente herói, que uma cadeira
Susténs na ponta do caralho teso,
Pondo-lhe em riba mais por contrapeso
A capa de baetão da alcoviteira:

Teu casso é como o ramo da palmeira,
Que mais se eleva, quando tem mais peso;
Se o não conservas açaimado e preso,
É capaz de foder Lisboa inteira!

Que forças tens no hórrido marsapo,
Que assentando a disforme cachamorra
Deixa conos e cus feitos num trapo!

Quem ao ver-te o tesão há não discorra
Que tu não podes ser senão Priapo,
Ou que tens um guindaste em vez de porra?

Autor: José Maria Barbosa du Bocage

sábado, 4 de abril de 2009

delírios: 30 segundos

Manhã cedo, a luz penetra no quarto pelos buracos da persiana. Ouve-se o barulho da água a correr, o marido está no duche e ela sente a vontadezinha danada… O amante aproxima-se de pé, nu, banhado por aquela luz entrecortada pela persiana e sorri maliciosamente erecto. Ela contorce-se, insinua-se, chama-o. Ele finge-se desinteressado mas avança devagar. Ela ergue-se e prepara-se para lhe mimar o sexo, mas ele não deixa, empurra-a e ataca-a no pescoço, saboreando o perfume de fêmea excitada com pequenas dentadas alternadas com lambidelas que a arrepiam. Ela tenta fazer-lhe o mesmo simultaneamente, mas ele afasta-a e desce em direcção ao peito e por lá se perde, com o nariz a escassos milímetros da pele, a inspirar profundamente enquanto o corpo dela implora pelo toque. Ele lambe-lhe os seios, enrija-lhe os mamilos deixando um rasto húmido de saliva, enquanto ela tenta acariciar-lhe a nuca, mas ele prende-lhe as mãos com as dele e desce, cheirando-lhe a barriga, roçando as coxas com a face… Pára e olha-lhe nos olhos. Há ali uma espécie de entendimento. Ela aproveita para se libertar e beijar-lhe a boca, entrelaçam os corpos, lutam pelo domínio. Ele diz-lhe "vou fazer-te vir em 30 segundos". Ela olha-o com uma expressão jocosa e procura o preservativo. Encontra-o. Mas ele não está a gozar. "Um" e penetra-a com uma estocada forte. Foi muito fácil entrar porque ela está inundada, a liquefazer-se em desejo. Ela geme. "Espera, o preservativo!" "Dois" Ela debate-se, já percebeu que ele não vai parar. A água deixou de correr, o marido está a fazer a barba. "Três. Diz que não queres. Cinco!" Cada estocada é um número mais próximo do êxtase. Ela debate-se mas delira cada vez que ele entra até ao fundo e lhe faz estremecer o corpo todo. "Não!" murmura ela. "Não o quê? Dez!" Ela continua a debater-se e a forma como se mexe e contorce aumenta-lhe o prazer. "Treze. Não queres? Quinze!" Ela está a vibrar. Ele sente o aumento de temperatura, sente-lhe a textura a pressioná-lo e tenta controlar-se. "Sim!" "Vinte!" Ela começa a respirar fundo. "Sim o quê? Vinte e dois!" ela continua a debater-se, mas ambos sabem que ela não se quer desligar, mas ele pára. "Sim o quê, diz! Vinte e três!" Agora só ela é que se mexe, está a ferver. Ele também está quase, a pausa refreia-o, mas ela continua a mexer-se, a chegar-se mais para ele, a fingir que se debate. "Não pares! Por favor, não pares!..." "Vinte e cinco!" Ele penetra-a com força e ela abafa um grito e aperta-o dentro dela, não o quer deixar sair, ele não quer sair, é bom demais… "Vinte e oito!" ela geme. "Vinte e nove!" Nada mais importa a não ser aquele prazer. Ela sobe, ela prende-o, não o quer deixar sair. E o "Trinta…" soa rouco e deturpado. E ele sente a vertigem, sabe que tem de a largar, mas ela não deixa, aperta-o e não o larga e sente-o estremecer dentro dela, abraça-o até acalmar. Ela volta-se e soluça. Ele pede desculpa. Não era suposto. Eles sabiam perfeitamente que o pedaço de látex não passava de uma barreira psicológica que uma vez transposta, não é possível voltar a erguer.



"vou fazer-te vir em 30 segundos"?!? Ainda se fosse "vou fazer-te vir DURANTE 30 segundos"... E mesmo assim... eu às vezes...

"barreira psicológica"?!?! Pffffff... Pois, toda a gente sabe que os príncipes encantados NUNCA estão contaminados e os bebés vêm de França...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

sexo seguro sempre! preservativo feminino


"A campanha insere-se nos objectivos do Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infecção VIH/sida 2007-2010, que prevê a promoção da utilização consistente do preservativo, masculino ou feminino, desde a primeira relação sexual, com uma preocupação em atender às questões do género nas actividades de prevenção da infecção VIH. O preservativo feminino aparece como uma alternativa viável que garante às mulheres uma maior capacidade de decisão na prevenção do risco."